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31 de janeiro de 2012

Fé e Política se misturam?


Se compreendermos bem o que é fé e o que é política, veremos que ambas estão profundamente relacionadas e dizem respeito a cada um de nós. Isto porque a fé, para quem crê de verdade, ilumina toda a nossa vida, inclusive o modo como fazemos política.
O QUE É FÉ?
No dicionário Aurélio, fé é definida como: “adesão e anuência pessoal a Deus, seus desígnios e manifestações”. “Pela fé o homem submete completamente sua inteligência e sua vontade a Deus” (CIC, n. 143). 
Ou seja, ter  fé não é somente acreditar que existe um Deus, cumprir uma série de ritos, rezar de vez em quando ou cumprir uma série de preceitos. A fé é uma decisão que envolve toda a nossa vida, pois é confiar totalmente Naquele em que cremos e deixar-nos conduzir pelos seus ensinamentos.
Foi isso que Jesus nos ensinou: “Não basta me dizer: “Senhor, Senhor!” para entrar no Reino dos céus; é preciso fazer a vontade do meu Pai” (Mt 7,21).
Portanto, somos homens e mulheres de fé se buscamos realizar a vontade de Deus em cada momento e em todas as áreas de nossa vida.
Na Missa, rezamos todos juntos: “Creio em Deus Pai Todo-poderoso (...), em Jesus Cristo (...) no Espírito Santo, etc.” Ou seja, proclamamos que vivemos segundo esta verdade, que este é o Deus em que cremos.
Pois bem, se cremos em um Deus que é Pai de todos, então todos são nossos irmãos, inclusive os que não crêem, os que pensam diferente e os que se declaram nossos inimigos.
Se é assim, a fé não é um assunto privado, individualista. Ao contrário, a fé nesse Deus Uno e Trino nos leva a um compromisso diário de amor aos irmãos, com o bem de todos. Saímos da Missa e vamos para a Missão.
O QUE É POLÍTICA?
Imaginem um país com milhões de habitantes. Cada uma dessas pessoas é nosso irmão e precisa ser alimentada, receber cuidados em saúde, ser educada, ter emprego e renda, acesso à cultura e ao lazer e garantia de segurança. Estas, entre outras, são as condições para que elas possam se desenvolver e crescer com dignidade e viver em paz.
Aqui começamos a falar de política, afinal ela é a arte de promover orgânica e institucionalmente o bem comum, ou seja, “o bem de todos naquilo que todos têm de comum” (Cezar Saldanha).
Mas, como fazer para que realmente seja alcançado o bem de todos e não só de uma parte da população? Com tantos interesses, como definir o que é prioridade?
Cada povo, cada País, tem um modo próprio de se organizar para buscar o bem comum. No Brasil, já tivemos Imperadores, Ditadores, e agora temos Presidentes, Governadores, Prefeitos, Vereadores, Deputados e Juízes, que compõem os três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Somos nós que, através do voto, elegemos nossos representantes no Executivo e no Legislativo. Eles são eleitos para promover o bem de todos, através das decisões administrativas, das leis e da fiscalização mútua. Quando um Prefeito ou um vereador busca o seu bem particular ou o de seus “amigos” ou quando se omite, prejudicando o bem comum, não está cumprindo a missão de nos representar. Está pecando, realizando um ato imoral e faltando com a caridade e a justiça.
Se um eleitor vende o seu voto ou escolhe irresponsavelmente seu candidato, além de “dar um tiro no próprio pé”, ele também peca e prejudica a todos.
Portanto, o voto não termina no dia das eleições. Ele tem consequências diretas na vida de toda população. Se o político é eleito para nos representar, precisamos acompanhá-lo, fiscalizá-lo, dar-lhe sugestões, apoiá-lo e cobrá-lo.
Sozinhos esta tarefa é quase irrealizável, mas unidos podemos fazer muito para que a voz da população seja ouvida pelos seus representantes. Daí a importância das igrejas, das ONGs, dos partidos, dos sindicatos, das associações, dos conselhos e dos clubes de serviço, entre outras modalidades de associativismo.
Se verificamos atos de corrupção, atos ilegais e injustos, podemos recorrer à Justiça, buscar apoio do Ministério Público (Promotor) e promover ações para corrigir estes atos e punir os infratores.
Mas, na hora das decisões, quais são os princípios, os critérios que devem ser utilizados para definir o que é bom ou mau para todos? Como discernir a vontade de Deus?
No campo político-social, a Igreja Católica orienta seus membros através da chamada Doutrina Social da Igreja. Este conjunto de ensinamentos é como um farol que ajuda os cristãos a navegar nos mares do mundo dando referências e apontando caminhos na busca do bem comum. É muito importante que cada vez mais católicos conheçam essa Doutrina e a apliquem no seu dia-a-dia.
POLÍTICA, O MAIS ALTO GRAU DO AMOR
Quem realmente tem fé em Jesus, ouve sua voz e cumpre seus mandamentos, os quais podem ser resumidos em: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
Se encontramos um irmão necessitado, pela fé que temos em Cristo, podemos saciar-lhe a fome e dar-lhe vestes. Este é um ato de caridade, movido pela fé. Contudo, ainda mais importante é agir de tal modo que sejam sanadas as causas que levam aquele irmão a não ter o que comer e o que vestir. Este é um ato de caridade política. Portanto, na política se manifesta o mais alto grau do amor fraterno.
Desta forma, quem vive a fé em Jesus, não pode ser indiferente à política. Pelo contrário, iluminados pelo Evangelho e pela Doutrina Social da Igreja, os cristãos põem a mão na massa e buscam construir a Civilização do Amor.
Ou seja: fé e política se misturam.

Por Leandro Alberione Batista da Costa

3 de janeiro de 2012

Fé e Política - A Consciência do Cristão autêntico



       O cristão autêntico, imbuído de sua identidade que é a vivência da graça batismal e consciente da necessidade de que como igreja, deve anunciar e se empenhar na construção de uma sociedade justa e fraterna, não pode se omitir neste momento histórico e significativo que é a política.
     Mesmo respeitando a pluralidade de escolha, a consciência do cristão não o libera do compromisso fundamental de votar conforme os princípios religiosos, analisando cada candidato, quem é que o apoia, qual a sua real história de luta ao lado do povo, e qual tem sido sua conduta quando fora da época de eleição.
     Os ditos populares "é tudo a mesma coisa" ou "qualquer um serve", não devem ser lemas para o cristão com responsabilidade. Reina em nosso meio um clima descrédito generalizado em relação à política e ao político. É imprescindível, no entanto, que se compreenda que a pior forma de se fazer política é "não querer saber dela". Não podemos delegar como nossos representantes, pessoas inescrupulosas, de cujas decisões nascem os "esquemas oportunistas", a apropriação indevida dos bens públicos para atender interesses privados, através dos propalados desvios de verba, disseminando a miséria.


Como escolher os canditados?
    
     A preferência deve recair sobre o candidato que possui uma sincera adesão aos princípios fundamentais da ética social cristã, efetiva competência política e reconhecida capacidade de liderança. O voto é um bem sacratíssimo. Portanto, nossa escolha, nosso voto, deve ser no candidato que se mostrar digno de recebê-lo porque testemunha com a sua vida o modelo que escolheu para si e com o qual governará o seu povo, porque demonstra o respeito à dignidade humana e vive os preceitos de Deus.
     Se um candidato já exerceu cargos na política, não votar nele sem antes buscar sólidas informações sobre a sua atuação. Não podemos permanecer escravos dos desmandos e da falta de competência de quem gerencia os recursos para o bem comum. O tempo de caminhada na Igreja, o testemunho (vida cristã coerente), a aceitação de sua candidatura pela própria comunidade onde está inserido e o bom relacionamento com outras comunidades afins são critérios que precisam ser considerados na hora da escolha do candidato.
     Não vote em quem é reconhecidamente desonesto. Lembre-se: voto não se troca por coisa alguma. Se o candidato prometer empregar seu filho, asfaltar a sua rua, abrir uma escola ao lado de sua casa, com certeza ele já prometeu isso para uma porção de outros eleitores. Negue o seu voto! O dito popular: "ele rouba, mas faz", não pode prevalecer na mente e no coração dos cristãos comprometidos com o bem. E é bom "ficar de olho" nos altos gastos das campanhas: quem muito gasta, vai querer o seu dinheiro de volta, de alguma forma, se eleito. O político ideal é aquele que tem uma proposta política viável, defende a vida, os direitos humanos e é sensível aos problemas dos empobrecidos. Luta pelo bem comum e é comprometido com o Evangelho.

Nota:
(Por Victor Oliveira,
Ministério Jovem Dioc. Palmeira dos Índios)


"O político ideal é aquele que tem uma proposta política viável, defende a vida, os direitos humanos e é sensível aos problemas dos empobrecidos. Luta pelo bem comum e é comprometido com o Evangelho."

     Se deparar no dia a dia com uma pessoa de estereótipo assim, como supracitado, é algo ímpar atualmente e por que não dizer, raro! Percebe-se que na realidade nos deparamos com perspectivas e condutas que de certa forma acabam se tornando surreais aos preceitos cristãos. É hora de voltarmos ao nosso “eu interior” para refletirmos sobre as decisões que tomamos e as atitudes que temos frente ao mundo, e seus rebatimentos para a vida plena em Cristo Jesus, para saber votar naquele candidato que mais se aproxima dos bons preceitos. O mundo, em sua totalidade, não evidencia os princípios de Ética e Moral Cristã, e muitas pessoas, agindo de forma egoísta, desonesta e cada vez mais materialista, têm procurado sobressair-se com a ignorância e o desinteresse da população. Não atentar à conscientização social significa dizer que continuaremos sustentando o fingimento, a hipocrisia, a demagogia. Pergunta-se: Até quando sustentaremos a nossa posição às margens da consciência, abraçados e entrelaçados com a insipiência crítica, preferindo ignorar as injustiças que ainda assolam a natureza humana?

     Irmãos, abrir a nossa mente e o nosso coração ao discernimento e a sabedoria é algo fundamental para nossa conduta de cristãos. Precisamos pedi-los intensamente a Deus, por intermédio de Cristo Jesus, para que, ao votar, o façamos de acordo com a vontade de Seu coração.

Paz e Bem!